domingo, 20 de setembro de 2009

Os pais do Guilherme


Espero que um dia você volte atrás
Do que já decidiu
Quando foi embora meu castelo se destruiu (se destruiu)
Quase vacilei, mas não pisei na bola
Tentarei seguir a vida lá fora
Entendo, mas tudo vai ser mais difícil
Sem o teu coração

Não vou cultivar tristeza
Ficar sofrendo é besteira
Ando por toda a cidade
Sem ter medo da verdade
Não penso estar perdido agora
Tudo têm a sua hora
Da solidão já tive medo
Tenha calma, limpo a alma e aprendo a viver

Posso encontrar alguém
Muitos caminhos existem
E a chama de um amor que foi eterno
Pode terminar
Mas se eu tivesse o mar e você do meu lado agora
Seus olhos iam me seguir
Sua presença fortificar

...

Ser mae é...

– Carregar durante dias o teste de farmácia na bolsa, como se fosse um novo documento de identidade…
– Ter o momento de maior perplexidade na vida ao olhar para duas listras azuis se formando no teste…
– Receber o primeiro presentinho e se encher de ternura…
– Abrir espaços: no corpo, na casa, na cabeça, na rotina, para que neles caiba um novo ser…
– Encontrar um dia o varal cheio de roupinhas se preparando para entrar na bolsa da maternidade e sentir que as lágrimas saltam aos olhos…
– Passar a ter cuidado redobrado na hora de escovar os dentes, para evitar vomitar…
– Fazer exercícios para lugares estranhos e músculos que até então não haviam sido apresentados, como o períneo e os seios…
– Ter ataques de faxina, de descartar coisas velhas e de arrumação para receber o bebê…
Espantar-se com as quantidades e com os preços das coisas que teoricamente devemos comprar …
– Sentir um pouco de culpa se você não é particularmente fã de rendinhas, frufrus e bordados…
– Pensar em brincadeiras e atividades para fazer com seu filho que ainda vão demorar muuuuito para chegar…
– Aprender que sentar, se virar e se levantar, não mais são gestos automáticos…
– Ver a barriga se mexer e sentir uma enorme emoção…
– Estar em contato profundo com alguém que, paradoxalmente, você ainda não conhece…
– Ter um corpo habitado…
– Se perguntar a cada dia (principalmente no início): “O que será que vou sentir hoje?”
– Organizar roupinhas minúsculas e pensar que erraram, que não é possível que alguém possa ter tal tamanho…
– Precisar da mão quentinha do seu companheiro sobre a barriga…
– Multiplicar o número de travesseiros da sua cama…
– Descobrir que você tem um monte de novos temas para conversar com mulheres…
– Adaptar-se, adaptar-se e adaptar-se novamente…